Casa do Patrão

Estratégia de Boninho para Casa do Patrão pode virar tiro no pé, aponta especialista.

06/05/2026
Bianca Becker na Casa do Patrão; participantes do reality não contam com adms nas redes sociais.

J. B. Oliveira, o Boninho, idealizou a Casa do Patrão como uma tentativa de resgatar o DNA dos realities com participantes anônimos. Parte da estratégia inclui proibir que os confinados tenham administradores cuidando de suas redes sociais durante o programa. A medida, no entanto, levanta questionamentos sobre seu impacto no engajamento digital do formato. 

Quem alerta é a especialista Gigi Grandin, que trabalha com marketing de influência e é fundadora da agência Impulso Digital. Para ela, a decisão de barrar os "adms" pode até ter chamado a atenção em um primeiro momento, por causa de seu caráter inovador, mas não se sustenta a longo prazo. 

"Estrategicamente, isso tende a prejudicar o engajamento do programa. Hoje, um reality show não vive apenas do que vai ao ar na televisão ou no streaming. Ele se expande nas redes sociais, nos cortes, nos memes, nas torcidas, nas narrativas paralelas e na capacidade de transformar acontecimentos internos em conversas externas", opina Gigi em entrevista ao Notícias da TV.

Quando um participante está confinado, o administrador do perfil é justamente quem mantém essa ponte viva com o público. É ele quem organiza a narrativa, atualiza a audiência, transforma momentos em conteúdo compartilhável e ajuda a ampliar a repercussão do programa. Tirar essa camada é deixar de explorar uma ferramenta essencial de engajamento.
"Todo reality é construído a partir de narrativa, edição, torcida e percepção pública. Os adms ajudam a contextualizar acontecimentos, explicar reações, recuperar falas anteriores, traduzir momentos que podem ter passado despercebidos e organizar a comunicação daquele participante com sua comunidade", continua.

A especialista reconhece que, de fato, existem vieses nas abordagens feitas por administradores de perfis públicos, mas destaca que é natural que esses profissionais tomem o lado daqueles que representam. 

"O perfil oficial naturalmente defende o participante. Mas o público já entende isso. A audiência de reality hoje é muito mais sofisticada do que antes: ela acompanha cortes, perfis de fofoca, comentaristas, lives, threads e diferentes pontos de vista. O adm não é a única fonte de interpretação, mas é uma fonte importante para equilibrar narrativas e manter o participante presente na conversa", explica. 

Eu entendo o argumento de que o jogo poderia ficar mais 'limpo', mas acho que essa limpeza pode custar caro em termos de engajamento. Reality show é, por natureza, um produto social. O que acontece dentro da casa precisa ganhar vida fora dela.
Gigi ainda defende que, diferentemente do que muitos usuários de redes sociais costumam dizer, o profissional que administra um perfil público não serve apenas para "passar pano".

"Ele pode explicar o contexto, pedir responsabilidade da torcida, humanizar o participante, conter ataques e organizar uma resposta mais equilibrada. Sem isso, o participante fica mais vulnerável à leitura fragmentada e, muitas vezes, distorcida dos acontecimentos", alerta. 

"Sem adms, o programa perde uma camada importante de contextualização, defesa, memória e mobilização. Em vez de eliminar narrativas externas, a ausência de perfis oficiais apenas desloca esse poder para independentes, páginas de entretenimento e comentaristas, que passam a ocupar esse espaço sem necessariamente ter compromisso com a trajetória do participante", acrescenta Gigi. 

Papel importante 
Para a especialista, apesar de Boninho mostrar boa intenção ao impedir que os participantes da Casa do Patrão tenham seus representantes no ambiente digital, a decisão pode impactar negativamente a maneira como o público acompanha e consome o reality --o que, por consequência, pode refletir na audiência do programa na TV. 

"Eu não chamaria apenas de dependência [essa curadoria digital feita pelos adms], eu chamaria de uma mudança no comportamento de consumo. A audiência hoje não quer apenas assistir ao episódio. Ela quer acompanhar os bastidores, rever cortes, entender o contexto, participar da conversa e se posicionar", observa. 

A ausência de adms pode, sim, reduzir o alcance orgânico e o potencial de viralização. O reality perde núcleos oficiais de mobilização. Em vez de ter vários perfis alimentando a conversa de forma coordenada, o programa passa a depender quase exclusivamente da repercussão espontânea de terceiros.
"Não acredito que essa medida tenha força para virar tendência de forma ampla. Pode ser usada pontualmente como experimento de formato, mas, do ponto de vista de marketing, influência e construção de audiência, ela vai na contramão do comportamento atual do público. O futuro dos realities tende a ser cada vez mais multiplataforma, com narrativas acontecendo simultaneamente na TV, no streaming, no TikTok, no Instagram, no X, no YouTube e em comunidades de fãs."

"O Boninho é reconhecido como um dos nomes mais influentes dos realities no Brasil, e a Casa do Patrão nasce justamente em um cenário em que o entretenimento depende cada vez mais da conversa digital. Por isso, para mim, impedir adms oficiais é uma decisão estrategicamente limitada. Reality show hoje não termina no episódio. Ele continua no corte, no comentário, no meme, na torcida e na capacidade de transformar cada acontecimento em conversa pública. Tirar os adms desse processo é abrir mão de uma das engrenagens mais importantes de engajamento", finaliza. 

Por que Boninho barrou os adms? 
Durante a coletiva da Casa do Patrão, o showrunner explicou por que proibiu que os perfis dos participantes fossem geridos por administradores. "Eu acho que os adms passam a ser profissionais de controlar perfis que nem eles sabem como são, de caras que nem conheciam. Geralmente, eles são contratados em cima da hora", justificou. 

Como essas pessoas são pessoas mais simples, não são blogueiros, não trabalham com internet, eu acho que temos que continuar com esse DNA. O perfil dele [do participante] vai ser o que ele vai entregar para a gente durante o programa. 
"Não é que eu não goste de adm, é que eu acho que ele não conhece o cara para quem está trabalhando. Às vezes, alguns saem e demitem os adms depois (risos). É um pouco disso, a liberdade de aquele cara continuar sendo o que ele é", completou Boninho.

No novo reality de confinamento, os jogadores recebem celulares para registrar a própria rotina e seus pensamentos, com o material sendo compartilhado nos perfis oficiais de cada competidor. 

"Eu sou a favor das comunidades falando sobre o programa, adotem seus participantes, está tudo certo. Se você quiser saber como ele pensa, vai lá no perfil dele, ele vai estar gravando um vídeo, contando o que está sentindo e fazendo", continuou. 

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